Onde está ó morte que não chegas
Se te insinuas de forma que te sintas e não te vejas
Posso sentir teu cheiro repugnante forte
Que com asco ósculo de tua boca me beijas
Tenho em minha carne trêmula dolorida
Na luta sem querer se dá por vencida
Os açoites de tua esperteza
Onde está ó morte que não chegas
Se deixas minha alma sufocada e abatida
Com teu turvo manto que me esconde o rosto
Escama-me os olhos me seca a boca, meu coração agoniza
Quisera agasalhado esconder-me de tua face
E ocultar-me dessa negra e desumana brisa
Onde está ó morte que não chega
Se posso ouvir o tropel macio do teu cavalgar
Se sinto aço frio da lamina do teu açoite
Sobre minha carne o teu vergastar.
Onde está ó morte que não chegas
Se turbas de espectros se levantam contra mim
Ó morte, se pudesse tornar-me-ia um menino
Embaixo de meus cobertores, livre dos meus temores
Teria um merecido e descansado fim.