Pensamento Solitário - UOL Blog

Fábio Jr - Só você

Demorei muito pra te encontar
Agora quero só você
Teu jeito todo especial de ser
Eu fico louco com você

Te abraço e sinto
Coisas que eu não sei dizer
Só sinto com você

Meu pensamento voa de encontro ao teu
Será que é sonho meu?

Tava cansado de me preocupar
Quantas vezes eu dancei
E tantas vezes que eu só fiquei
Chorei, chorei

Agora eu quero ir fundo lá na emoção
Mexer teu coração
Salta comigo alto e todo mundo vê
Que eu quero só você

Eu quero...
Só você... só você

Te abraço e sinto
Coisas que eu não sei dizer
Só sinto com você

Meu pensamento voa de encontro ao teu
Será que é sonho meu?

Tava cansado de me preocupar
quantas vezes eu dancei

E tantas vezes que eu só fiquei
Chorei, chorei

Agora eu quero ir fundo lá na emoção
Mexer teu coração
Salta comigo alto e todo mundo vê
Que eu quero só você

Eu quero...
Só você... Só você


 

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Mais uma vez dei comigo a pensar... mas o que ando a fazer da minha vida? Passei tempo demais agarrada a um tempo que já não volta, a um tempo que se perdeu... Memórias, momentos, saudades... não posso viver disso!

Olhei para trás, mais uma vez à procura de uma desculpa, sim... uma desculpa para o meu medo, medo de mudar! E pela milésima vez encontrei a mesma resposta. Não vale a pena! Porque é que me habituei a remar contra a maré? Porque é que deixei as coisas chegarem a este ponto? Logo eu, que sempre defendi o contrário.

Quando tudo à volta deixa de ter sentido, quando as palavras já nem saem, quando o respeito acaba... o medo da mudança é tão pequeno, passa a ser insignificante.

Culpa... talvez! Mas acredito que neste caso não existem culpados, a vida ou nós, não sei! Sei que agora já não faz sentido. Talvez seja verdade, talvez eu tenha mudado... mas as pessoas crescem, evoluem, os objectivos mudam, e os sonhos também. É difícil quando não se fala a mesma língua, quando não se ouve a mesma música, quando somos perfeitos desconhecidos... é difícil olhar para trás e descobrir que aquilo que eu tanto quis se perdeu... ninguém mais do que eu tentou!

Tenho pena, tenho tanta pena... mas não vou ser feliz pela metade, mereço o tudo e neste momento o que tenho é o nada. Descobri isto quando entendi que ninguém é mais importante do que eu, fiquei farta de ser sempre a forte, a que aguenta tudo, a compreensiva, não tenho mais vontade de aguentar nos ombros a vontade dos outros. E a minha onde fica? Será que depois de uma vida me vão agradecer por me ter esquecido de mim? É claro que não! Acabaram os sacrifícios, as vontades perdidas, os medos infundados e as desculpas... eu vou e quero mudar...

Força... acho que tenho alguma, mas vontade tenho muita. Não vou fazer o papel de coitadinha, foi coisa que sempre odiei... se tiver que chorar, choro, se tiver que errar, erro! Mas pelo menos não vivo na incerteza, não vivo na tristeza e com a sensação que estou a deitar fora o melhor que a vida me poderia dar. Posso perder muito, acredito que sim! Mas aquilo que poderei ganhar supera todas as perdas.

Não vou ter medo...! Sei que não vai ser fácil, sei que vou perder pessoas importantes, sei que a minha vida vai ser tão diferente... mas mesmo assim eu tenho que arriscar, e quem não ficar a meu lado, também não merece o sacrifício da minha felicidade. Esta é talvez a decisão mais difícil da minha vida, mas como costumo dizer: seja o que Deus quiser e o que o diabo deixar... mas eu vou mudar!

ROMANCE DAS PALAVRAS AÉREAS
(Cecília Meireles, Romanceiro da Inconfidência)
"Ai, palavras, ai, palavras,
que estranha potência, a vossa!
Ai, palavras, ai, palavras,
sois de vento, ides no vento,
no vento que não retorna,
e, em tão rápida existência,
tudo se forma e transforma!
Sois de vento, ides no vento,
e quedais, com sorte nova!
Ai, palavras, ai, palavras,
que estranha potência, a vossa!
Todo o sentido da vida
principia à vossa porta;
o mel do amor cristaliza
seu perfume em vossa rosa;
sois o sonho e sois a audácia,
calúnia, fúria, derrota...
A liberdade das almas,
ai! com letras se elabora...
E dos venenos humanos
sois a mais fina retorta:
frágil, frágil como o vidro
e mais que o aço poderosa!
Reis, impérios, povos, tempos,
pelo vosso impulso rodam...
Detrás de grossas paredes,
de leve, quem vos desfolha?
Pareceis de tênue seda,
sem peso de ação nem de hora...
- e estais no bico das penas,
- e estais na tinta que as molha,
- e estais nas mãos dos juizes,
- e sois o ferro que arrocha,
- e sois barco para o exílio,
- e sois Moçambique e Angola!
Ai, palavras, ai, palavras,
ídeis pela estrada afora,
erguendo asas muito incertas,
entre verdade e galhofa,
desejos do tempo inquieto,
promessas que o mundo sopra...
Ai, palavras, ai, palavras,
mirai-vos: que sois, agora?
- Acusações, sentinelas,
bacamarte, algema, escolta;
- o olho ardente da perfídia,
a velar, na noite morta;
- a umidade dos presídios,
- a solidão pavorosa;
- duro ferro de perguntas,
com sangue em cada resposta;
- e a sentença que caminha,
- e a esperança que não volta,
- e o coração que vacila,
- e o castigo que galopa...
Ai, palavras, ai, palavras,
que estranha potência, a vossa!
Perdão podíeis ter sido!
- sois madeira que se corta,
sois vinte degraus de escada,
- sois um pedaço de corda...
- sois povo pelas janelas,
cortejo, bandeiras, tropa...
Ai, palavras, ai, palavras,
que estranha potência, a vossa!
Éreis um sopro na aragem...
- sois um homem que se enforca!



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